Sentir e Seguir o Espírito ― Aprender Sobre os Nossos Sentimentos

Elder Alan T. Phillips
Elder Alan T. Phillips, Inglaterra Setenta de Área

Foi como missionário que aprendi, pela primeira vez, como era sentir o Espírito Santo com confiança.  Não que eu nunca tivesse sentido o Espírito antes, só que não sabia o que estava a sentir.  Mesmo antes de me tornar membro d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, lembro-me de ter sentimentos vindos do Espírito Santo na minha vida.  O Espírito tentou influenciar-me através de sentimentos que pareciam relacionados com outros guias que me eram familiares, como, por exemplo, a minha consciência.  Mas, embora parecessem semelhantes, eu conseguia perceber que os sentimentos do Espírito não eram a minha consciência, mas que, tal como a minha consciência, os sentimentos vindos do Espírito podiam ser muito subtis e facilmente dominados pela concorrência. 

Com tudo o que, na época, eu não sabia sobre os sentimentos vindos do Espírito, eu tinha aprendido a começar a confiar nesses sentimentos quando vinham.  Lembro-me desses sentimentos a ajudar-me a decidir filiar-me à Igreja e a apoiar-me com energia para servir os outros, a incentivar-me ao arrependimento e a dar-me ânimo, à medida que aprendia a verdade e reconhecia a bondade na vida.  Estes sentimentos asseguraram-me que o evangelho de Jesus Cristo me fazia feliz de uma maneira muito considerável e queria que estes fizessem parte da minha vida e da vida daqueles que eu amava.

Como não conseguia descrever, exatamente, os meus sentimentos como algo que fazia “arder dentro de [mim] o [meu] peito”1 e não me parecia que os doces sentimentos no meu coração correspondessem às declarações ousadas de ardor no peito, que ouvia tantos outros Santos descreverem nas reuniões de jejum e testemunhos, conclui que não possuía a convicção prometida que viria dos Céus.  Quanto mais me comparava aos outros, mais insignificante parecia ser a minha experiência.  Embora estivesse agradecido por ter estes sentimentos orientadores, não desenvolvi a confiança de que estes doces sentimentos fossem os tão prometidos sentimentos vindos do Espírito Santo. 

Como missionário, aprendi quase diariamente lições de outras pessoas cujas vidas tinham a orientação do Espírito nelas tecida.  Foi então que os escritos de Paulo me clarificaram.  Apercebi-me que quando Paulo falou do “fruto do Espírito”, ele estava a falar da parte do Espírito que experimentamos ― afinal de contas, nós provamos dos frutos.  Ele estava a tentar partilhar como é que os sentimentos vindos do Espírito lhe sabiam quando ele os provava.  Ele ensinou que “… o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança…”2. Não consigo descrever o sabor de uma fruta só com uma ou duas palavras.  E assim foi também com a descrição de Paulo do fruto do Espírito, ele descreveu a variedade de “sabores” que desfrutou quando sentiu o Espírito do Senhor.  Estes eram sabores que também estavam presentes nos meus sentimentos.  Isto deu-me segurança, compreensão e confiança. Se Paulo tinha recebido orientação do Espírito, eu também tinha!

A minha experiência com o fruto do Espírito pode ter diferentes nuances de sabor que são intensificados para mim e que diferem da experiência de outros, mas, todas as experiências são válidas.  Os sabores que eu desfrutava não tinham de ser iguais aos de outros, nem os sabores desfrutados por outros tinham de ser iguais aos meus.  Cada um de nós saboreia para o seu próprio benefício e orientação.

Desde então, tenho tentado promover e seguir, cuidadosamente, esses alegres sentimentos orientadores do Espírito.  Eles mantêm-me sempre nos caminhos mais felizes da vida.3 A minha experiência confirma que, quando nos parece que os nossos sentimos são demasiado fracos para nos levar a agir, o demasiado fraco é, ainda assim, o suficiente e nós podemos, ainda assim, optar por segui-los!

Na tentativa de atrair mais orientação divina para a nossa vida, podemos seguir os esclarecimentos animadores do Presidente Nelson: “Nada abre os céus como a combinação do aumento da pureza, da obediência exata, da busca sincera, do banquetear-se diariamente com as palavras de Cristo no Livro de Mórmon e do tempo regular dedicado ao trabalho do templo e da história da família.”4


Notas de Rodapé:


1 Doutrina e Convénios 9:8

2 Gálatas 5:22-3

3 Efésios 5:9 ― Paulo também confirmou quando ensinou os Efésios que “…o fruto do Espírito consiste em toda a bondade, e justiça, e verdade”.

4 “Revelação para a Igreja, Revelação para [a] Nossa Vida” ― Presidente Russell M. Nelson, Conferência Geral de abril de 2018